Segunda-feira, Março 31, 2008

Cap. 1 - Pais

Incrível o como garoto sabia tão pouco sobre os pais. Detalhes aqui e ali, sobre momentos, mas nunca o suficiente para montar o todo.
Estranho, ser um ignorante total em relação à vida daqueles que são as pessoas mais importantes de sua vida.
Tudo o que ele podia era, com esses fatos desconexos que eu sabia, juntar as peças como num quebra-cabeça.

Seu pai provavelmente era uma daquelas pessoas que não existem em seriados e filmes americanos. Afinal, lá só tem os perdedores e os ultra-fucking populars. E o futuro pai de dois flutuava no limbo entre esses extremos, em uma pacata e pouco habitada cidade do interior.
De um lado, um estudante aplicado, de notas altas. Talvez ele tenha um pensamento muito anos 90 aqui, mas no colégio quase sempre os malandrões são aqueles que sempre ficam de recuperação. Não sei se nessa época ainda viam esforço e aplicação no colégio como qualidades positivas. Prefiria acreditar que sim.
Mas, de seu modo mais reservado, tinha um certo carisma. Talvez fosse a impressão de integridade que passava, atraia muitos amigos, e sendo uma boa pessoa e ainda por cima divertida (uma faceta reservada apenas aos amigos), era de se imaginar não muitos e muitos amigos, mas uma turma apenas com amigos de verdade.
De outro, era um atleta de diversas modalidades. Talvez não fosse bom em todos, mas sua aplicação e esforço lhe davam lugar em todos como aquele 4° jogador do time. Nunca o melhor, nunca o pior.
Talvez assim tenha fugido da sina de ser baixinho como o pai, como recompensa da genética pelo esforço todo.
Além disso, ajudava na padaria de seu pai, o que posso imaginar ser algo bem estafante, já que horários de padaria são conhecidos por desafiarem as leis do sono.
Tínhamos o garoto esforçado do interior, nem rico nem pobre, que além de tudo era filho mais velho de cinco, o que lhe inspirava um espírito protetor.

Anos depois, mudando para a capital, conheceu aquela que viria a se tornar a mulher da sua vida e mãe de seus filhos. Numa rua, daqueles “flertes” ocasionais, mostrando que o universo trabalha de forma totalmente aleatória.
Ela era pequena, magra e bonita, com brilhantes olhos azuis. Seu jeito despachado e engraçado combinados com sua beleza atraía muitos amigos e também muito pretendentes, a tornando muito popular entre aqueles de seu colégio particular, do cursinho e da faculdade.
Ao contrário de seu futuro esposo, não era aplicada na escola, e sabia pelo menos 10 maneiras de colar nas provas.
Tinha facilidade na área de humanas, ao contrário da previsível área de exatas do rapaz.
Filha de classe média, nada lhe faltava também.
Com seus muitos amigos, viajava e saía. Era acompanhada também pela irmã mais velha, sua melhor amiga.
Talvez com a inveja, habitual nas mulheres, de seus olhos azuis, aprendeu cedo a se defender e a defender aqueles de quem gostava.

Dessa união do esforçado do interior e da popular garota da capital, nasceram dois. Um deles o nosso personagem.

Terça-feira, Março 25, 2008

Mundo de merda

Os últimos tempos andam meio desinteressantes, o que atrapalha muito para aqueles que resolvem escrever sobre cotidiano. Nenhum atentado terrorista, acidente aéreo, desastre natural ou escândalo político digno de nota, a seleção brasileira só tem jogador de países que faziam parte da URSS, o BBB ta no fim, xingar emo tá fora de moda, todos os produtos vêm sem gordura trans e já perdeu a graça chamar as pessoas de “Sr. 01” ou sequer comentar sobre Tropa de Elite.

Ou seja, está tudo uma merda.

Merda.

Taí um bom assunto.

Domingo, voltando de um belo feriado regado a muito W11, rock, mulher (minha namorada) e bebida, voltei com aquela famosa dor de barriga característica daqueles que se embriagaram com a nobre cerveja Itaipava.

Assim que cheguei, corri para o banheiro, já ciente que duas velhas edições de Homem-Aranha me esperavam para serem apreciadas pela 289° vez, seguradas por livro do Harry Potter.

Primeiro veio aquele peido, que chamo de “Peido-Estopim”. Essa tampa de gás aparece para proteger você de qualquer imprevisto, embora caso ele seja liberado ele destampará seu rabinho e deixará aquela freada de bicicleta na sua cueca, pra alegria da sua empregada.

Depois, a avalanche.

Existem várias consistências, mas em situações desse tipo a tendência é variar do “plasma” ao “sprinkler de merda”.

O grande problema desse não-saudável porém aliviador método de evacuar é que, por sua pouca consistência, nossa bundinha fica mais suja e assim, demora mais pra limpar.

Para aliviar um pouco a sujeira, fica aí a dica: dobre um pouco de papel e jogue na privada, fazendo uma pequena “balsa”. Ela evitará respingos, e assim, a sujeira ficará mais concentrada.

Aí entramos no caso da “Sujeira Infinita”, uma sujeira que não importa quantas vezes você passa o papel, ela ainda estará lá, sujando cada vez mais. Talvez uma das piores coisas do mundo, junto com cagar depois do banho.

Sim. De repente você sente aquela vontade incontrolável depois de tomar um banho e deixar sua bundinha reluzindo de tanto brilho e limpeza. O negócio é deixar rolar mesmo. O problema é que, obviamente, estamos ligeiramente molhados, e a natureza já provou que água e papel não combinam, resultando em:

- Papel rasgando e você sujando o dedo.
- Papel se desintegrando e deixando pequenos pedaços no borguinha.
- Você tendo que ser cauteloso para nada acontecer e demorar o dobro do tempo para se limpar.

Voltando ao nosso amado e adorado cocô, vemos que mesmo quando em sua consistência mais rígida e sem sofrer os efeitos colaterais de uma boa bebida, ele ainda prega peças na gente, variando em tamanhos e formatos.

Com minhas andanças e cagadas por aí, consegui identificar alguns padrões, os qual classifiquei dessa maneira:

- Fantasma: Também conhecido como Cocô David Coperfield. Você sente o toroço saindo, faz força, e quando vai admirar sua obra de arte, não encontra nada!!! Você até dá uma inclinadinha na cabeça pra tentar ver, mas apenas o véu da noiva formado pelo papel está ali.

- Shuriken: De forma mais simples, é aquele que rasga seu cu. Você faz força, quase chora e ele sai abrindo caminho com seus espinhos e irregularidades. Sempre é bom conferir o papel para ter certeza de que nenhum sangue saiu e as pregas continuam intactas.

- Nhoque: As famosas bolinhas que, ao contrário dos outros supracitados, não ferem nem causam espanto. Comum no gênero feminino.

- Toco Rígido: O nome diz tudo. Um charutão saindo limpamente. Por vezes, graças a seu tamanho avantajado, somos obrigados a fazer uma guilhotina anal para cortá-lo ou dar uma reboladinha para sair o restinho.
Certos homens dizem que, ao sair o charuto não causa danos e até causa um certo prazer, deve ser prazeroso também um charuto no sentido inverso. Caso isso aconteça, saiba que tal indivíduo é simplesmente um homossexual.

No momento só consigo me lembrar desses e os da bebedeira. Se souber de mais algum, poste aí nos comments para enriquecer nossas conversas de bar. Com amplo conhecimento em escatologia, você com certeza será bem cotado entre seus companheiros de cerveja.

Já passa da 1h da manhã e estou de saco cheio, então acho que vou dar uma cagada e dormir.

Abraços a todos.