Festa na Raquelzinha
Andriy estava empolgado.
Festa no sítio da Raquelzinha era promessa de um fechamento de ano digno de um American Pie 2. Mais festa, pegação e bebedeira que as festas no apê do Latino (mas não do que as do Adriano).
Bem, lá chegou, naquele sítio perfeitamente desenhado, com muito espaço, churrasqueira ampla, piscina ao lado, muitos locais para sumir com a mulherada, e um belo equipamento de som.
Andriy sempre gostava de chegar cedo nesse tipo de festa com churrasco. Isso lhe dava tempo de comer sem muita concorrência, além de já estar bêbado quando os outros chegassem, o que lhe dava uma vantagem.
Não bastando, Raquelzinha era aquilo que os naturistas chamavam de “maravilha da televisão brasileira”, digna de inspirar qualquer música brega do Fagner ou do Caetano, que provavelmente faria uma rima terrível de Raquel com Fel, Mel ou simplesmente El.
Apesar de não ter chance com ela nessa festa, já que seu namorado viria dessa vez, Andriy ficou ansioso com a notícia de que tinha uma amiga que estava dando mais sopa que gente que faz trabalho voluntário.
Não que nosso herói precisasse desse tipo de coisa, mas quanto menos dificuldade, melhor.
Apesar de tudo, a falta de informação sobre a pretendente o deixou intrigado.
Segue a festa, e lá vem Raquelzinha com sua amiga a em seus calcanhares.
E os maiores temores do garoto se concretizaram.
Ela era gorda.
Gorda. Não gordinha, não obesa mórbida, não gordelícia.
Não dava dó, não era engraçado (como os gordinhos masculinos).
Era a pior espécie: A Gorda Escrota.
Aquela mina que, além de ser gorda escrota, fazia de tudo para aumentar o desgosto causado pelo seu queixo duplo.
Daquelas que eram pseudo-revoltadas com o sistema, chatas pra cacete com tudo e todos, apenas para ter a ilusão de que ela era uma excluída por vontade própria, e não pelo piercing naquele mar de marshmellow que era sua pança.
Daquelas que pediam 2 lanches no Mc, mas pedia uma Coca Light de 2 litros.
Daqueles lixos que adoram fazer perguntas imbecis na classe.
Aquela pessoa que come pra cacete no jantar, enchendo a pança com todo tipo de lixo e praticamente injetando gordura trans na veia com uma seringa velha, falando que já comeu uma saladinha no almoço.
Daquelas gordas que só fazem gordisses.
Em resumo: Uma gorda escrota.
Bem, a seu favor, pelo menos não usava boné, já que gorda de boné seria demais para nosso pobre garoto de peso normal.
Como deu pra ver, Andriy não gostava de gordas, e não foi dessa vez que ele começou a gostar. Deu um pé na suja, deu um role, ficou bêbado e pegou a Raquelzinha, que tinha ficado bêbada e brigado com o namorado salame.
Como esperado, uma bela festa.

