Terça-feira, Junho 19, 2007

Como virar o melhor lutador do mundo for dummies

Como virar o melhor lutador do mundo for dummies

Aqui está, em primeira mão nas páginas desse blog, o manual definitivo das artes marciais. Nele constam regras e dicas para ser um artista marcial de sucesso, extraídos após minuciosa análise de filmes e mais filmes do gênero.

Aqui vão algumas partes desse super-manual:

Sofra um trauma:

Sim, isso mesmo. Como você não vai ganhar (muito) dinheiro com isso (afinal, nos filmes não existem tantos torneios mundiais oferecendo rios de presidentes mortos). O trauma sofrido terá que ser algo que o deixe com sede de vingança, afinal, essa será a motivação que o fará enfrentar os rigores da vida de artista marcial.

Tenha um nêmesis:

Um arqui-inimigo é necessário para que, junto com a vingança, haja um motivo forte para prosseguir com os duros treinamentos.

O algoz deverá ser enfrentado sempre na final do torneio, havendo uma maracutaia feita por Deus para que o embate tenha toda a pompa necessária.

Uma ligação com algum tipo de máfia é recomendável.

Arrume um mestre recluso:

Um senhor pacato, aparentemente comum, é o mestre secreto das artes marciais. O problema é o juramento que o fez abandonar a antiga vida de lutador. Porém, esse juramento pode ser facilmente contornado com palavras determinadas e uma boa ação.

Seu treinamento consistirá em tarefas aparentemente inúteis e uma pequena parte de combate propriamente dito (após êxito nas tarefas).

Arranje uma garota:

Diante da dificuldade imposta pela vida escolhida, arranjar uma garota é essencial como válvula de escape. Ela será conquistada pela sua determinação e corpo suado. Se for loira e americana, mesmo com sua jornada se passando no oriente, melhor ainda.

Amigo engraçadão:

Como a garota, será uma válvula de escape da difícil e tortuosa jornada. Será um fanfarrão, com tara por mulheres e bebida. No entanto, será um amigo fiel e fará você rir nos piores momentos.

Jornada no torneio:

A jornada seguirá com alguma dificuldade, ao contrário de seu nêmesis, que superará seus desafios com extrema facilidade. No final, ele chegará inteirão e você estará em estado semelhante a um farrapo humano.

Luta final:

Para ganhar desse colosso que é o inimigo, seguem aqui táticas infalíveis:

- Apanhe pra cacete no começo. Aparentemente isso servirá de gatilho para sua raiva interior, cansará o inimigo e o deixará assustado com sua gana, raça, resistência, foco e determinação. Tudo ao mesmo tempo.

- Libere sua raiva após ter apanhado bastante. A raiva o tornará uma máquina de combate, infinitamente superior. Wolverine que o diga.

- No atual estágio de frenesi, humilhe o inimigo. Defenda facilmente os golpes (ou apenas os ignore), e use alguns socos na face e estômago, que embora antes fossem ineficazes, agora são armas mortais.

- Na finalização, use um golpe de efeito. De preferência um golpe secreto/proibido/ninguém consegue executar perfeitamente. Para iniciantes, chutes giratórios são boas perdidas.

Termine voltando a sua vida habitual, com uma bela garota na garupa. Ou comece sua vida novamente, em uma vida feliz e abaixo da linha da pobreza na Tailândia.

Agora vocês já estão prontos para começar suas vidas.

Junte todas as dicas, deixe refogar por alguns minutos e adicione sal e pimenta a gosto, que você poderá viver como um verdadeiro campeão!

Quem quiser conferir o Manual na íntegra, entre no link:

http://tinyurl.com/2vfbkr

Obrigado!

Quarta-feira, Junho 13, 2007

A Parada Hétero

A nossa grandiosa cidade recebeu, nesse último fim de semana, um monte de gay. Enrustidos, boladinhos, travestis, figurantes dos clipes do Village People e toda sorte de pessoas que, segundo os religiosos, vão queimar no mármore do inferno (embora ninguém ouse afirmar o que exatamente vai ser queimado).

Pensei então, diante da visão (pela TV) de mais de 3 milhões de pessoas comemorando a homossexualidade: por que não eu e meus/minhas compatriotas héteros podemos celebrar nossa sexualidade mais, digamos, convencional?

Assim surgiu a Parada do Orgulho Hétero, onde nós poderemos celebrar toda nossa vivacidade e sexualidade sem medo de sermos felizes.

Mas pensei: essa magnífica festa não seria tão popular.

No máximo, um Show do Chiclete com Banana, onde apenas alguns milhares de rapazes sairiam em busca algumas centenas de garotas para depois chegarem em casa e contarem quantos/quantas pegaram.

Nada de festa, nada de movimento. Nada de orgulho (principalmente ao pegar aquela mina gorda sem dente).

Não bastando, seria processado por um monte de termos jurídicos para “seu homofóbico, preconceituoso filho da puta”.

Calma lá.

Não tenho nada contra gays, relaxem.

Mas assim como vocês gostam de serem gays, nós também gostamos de sermos héteros. Viu que mundo feliz, onde todos gostam do que são?

Mas bem, na verdade, quis falar sobre minha idéia de festa, que seria bem legal.

Afinal, é complicado ser branco, hétero, com 21 anos, solteiro (mas namorando, pelo menos), sem filhos, desempregado.

Não tenho Dia dos Pais, das Mães, do Trabalho e nem das Crianças, não tenho Paradas em minha homenagem, nem Feriados.

...

Peraí, que coisa de viado reclamar disso, né?

Aê, ganhei pelo menos uma Parada na qual posso participar sem medo de ser feliz.

Mas com medo do bolado de bigodão.



EDIT: Caramba, descobri que vai ter uma Parada Hétero de verdade!!!

Quarta-feira, Junho 06, 2007

Lendas populares que se perderam ou não.

Era uma vez um carinha que chamava Hélio, como o gás. Quando faziam essa brincadeira com ele, ele ria e respondia “Pelo menos não chamo Metano”. Claro que era um comentário cretino, mas ele julgava ser uma boa resposta.

Ele era mais um na cidade do interior. Nem alto, nem baixo, nem bonito, nem feio, nem pobre, nem rico.

Apenas mais um.

Mas mais um especial.

Porque ele tinha um talento que somente um antes na história teve.

Ele falava com animais. Que nem o Eddie Murphy.

Claro que ao contrário do que retrata Hollywood, os animais não são bons de conversa. São burros. Acho que os ianques nunca notaram que se eles fossem tão inteligentes, nós que estaríamos em cercas e jaulas, não eles.

Enfim.

No mundo capitalista de hoje, Hélio pensou em tirar proveito disso para ganhar dinheiro. Afinal, era assim que funcionava o mundo: tenha um talento e ganhe o máximo possível em cima dele.

Mas Hélio, talvez pelo contato prolongado com os animais burros, não era assim tão inteligente também. E não teve nenhuma idéia genial. Aliás, era uma idéia que, com efeito, era bem idiota. Mas era uma idéia.

Resolveu fazer turnês pelo Brasil, acalmando bovinos mais invocadinhos.

Assim, quando chegava em um rodeio, fazenda ou leilão do Canal Rural, falava com o bovino (que em geral era um touro, mas não necessariamente), falava tanto que o pobre animal ficava com sono, para então servir de entretenimento ou ser vendido mesmo.

Assim criou-se a lenda do encantador de touros.

Claro que um dia ele falou para um deles um monte de besteira para ele dormir, mas o touro, que não era touro e sim um boi, deu um coice na região genital do infeliz encantador e fez com que ele perdesse seu talento, já que sua voz ficou fina para sempre. Não bastando, com seu nome e voz fina, virou motivo de chacotas por todo o país. Morreu ao pedir para um macaco atirar nele com sua própria arma. O macaco também se foi, pois era estúpido e se matou sem querer também.

Aí hoje ainda lembram desse infeliz, que contava “histórias para boi dormir”.